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  Nos trilhos da Belém - Bragança / Vídeos de André França

Nos trilhos da Belém-Bragança História

 * A Estrada de Ferro de Bragança foi uma ferrovia que existiu no Estado do Pará. Ligava a estação de São Brás na capital Belém à cidade de Bragança, numa extensão de 222 quilômetros em bitola de 1,00 metro

A ferrovia começou a ser construída no ano de 1883 e já em 1884 foi inaugurado seu primeiro trecho, de 29 quilômetros, entre São Brás e Benevides. Em 1885, a E.F. de Bragança ganhou outros 29 quilômetros e atingiu a localidade de Itaqui, próxima a Castanhal, mas, as obras de construção ficariam paralizadas até 1901. Somente em 1908 a estrada atingiria a cidade de Bragança, chegando à sua extensão máxima.

A E.F. de Bragança pertenceu ao Governo do Estado do Pará até 1936, quando foi entregue à União Federal. Em 1957, foi uma das ferrovias formadoras da Rede Ferroviária Federal, que desativaria e suprimiria suas linhas alguns anos depois.




  A história da estrada de Ferro de Bragança - Parte 01


 * Vídeo sobre a história da Estrada de Ferro de Bragança - Vídeo de Andre de Franca.



  Trajeto

Foto do trem na Estação de Castanhal-PA  * A Linha Tronco da E. F. de Bragança passava pelo que hoje são os seguintes municípios, possuindo pelo menos uma estação em cada um deles:

Belém; Ananindeua; Marituba; Benevides; Santa Isabel do Pará; Castanhal; São Francisco do Pará; Igarapé-Açu; Nova Timboteua; Peixe-Boi; Capanema; Tracuateua; Bragança.

Sua estação terminal se encontrava na localidade de Tijocas, em Bragança.

  Ramais

 * A ESTRADA DE FERRO DE BRAGANÇA possuia também três ramais: de Icoaraci (em Belém), de Benfica (na atual Santa Bárbara do Pará) e de Prata (na atual Santa Maria do Pará).



  A história da estrada de Ferro de Bragança - Parte 02

 * Vídeo sobre a história da Estrada de Ferro de Bragança - Vídeo de Andre de Franca.



  A estrada e o sonho

 * Existem trabalhos e momentos em nossa vida que realmente são difíceis de esquecer, para mim a estrada de ferro está nesse patamar, foi um dos momentos mais marcantes de minha vida e carreira profissional (que ainda é pequena).

Toda a viagem foi pautada dentro de um equilíbrio do que não poderíamos e do que poderíamos fazer, mas no dicionário da equipe nunca houve “isso nós não podemos fazer”, sempre era, “isso vai dar certo, vamos conseguir”, em outras palavras, otimismo puro.

Logo que deixamos a padaria do viaduto o sol já começava a nos dizer bom dia com os seus primeiros raios. Nossa primeira parada oficial foi no canteiro central da Br-316 em Ananindeua para registramos a imagem da placa da cidade (cena que se repetiu ao longo de toda a viagem). Neste momento algo deixava a imagem feia: sacos de lixo. O cinegrafista, Jumbinho, começou, então, uma corrida para tirar os sacos de lixos da imagem, a cena era hilária para as 7 da manhã.

Feita a imagem, pé na estrada e na estrada paramos perto da antiga caixa d’água em Marituba, lá era a primeira parada do trem para o abastecimento de água, quem nos contou a história foi uma moradora (aparece no vídeo de hoje).

Foi neste momento que chegou a produtora da série. Depois dos “bons dias” começou o trabalho. Nossa primeira entrevistada da manhã era muito baixinha e precisávamos deixá-la um pouco maior. Conseguimos um pedaço de madeira para ela subir, ainda bem que a senhora topou numa boa e até sorrindo.

Nossas primeiras indicações de personagens começaram a surgir. Uns senhores passavam e diziam:

- Estrada de ferro, o seu Pompeu sabe de tudo, ele trabalhou lá.

Perguntei:

- Onde ele mora?

- Ah, é na rua logo depois da praça.

- Ok. Muito obrigado.

Colocamos a banda na rua e fomos atrás do seu Pompeu. Um senhor extremamente simpático que recebeu a equipe muito bem. Aceitou fazer a entrevista, deixou os amigos do bate papo em frente a casa do visinho e veio conosco até a casa dele.

- Seu Pompeu, posso fazer um pedido pro senhor?

- Faça.

- O senhor poderia vestir uma camisa?

- Camisa? Dá sim. Só um momento.

A esposa dele, igualmente simpática veio com uma camisa que ele começou a vestir.

- Seu Pompeu, não me leve a mal, mas a sua camisa ta com a marca de uma cerveja e não ia ficar legal para a matéria, o senhor pode trocar?

- Posso sim, claro.

Momentos depois ele voltou vestindo uma blusa sem propaganda e dizendo:

- O cara que inventou camisa de manga curta é um corno.

- E o que inventou camisa de manga comprida? (perguntou a produtora)

- É corno duas vezes.

Foi difícil conter o riso nessa hora. Depois da entrevista, o seu Pompeu nos disse que no quintal de uma casa ali perto havia pedaços do trilho da EFB, nós fomos conferir. Confesso que vivi uma das muitas emoções ao ficar diante daquele pedaço de ferro enferrujado... Quantas histórias....

Seguimos viagem e desta vez fomos direto para o município de Benevides onde está o recanto de Moema.

Era ali que ficava uma das estações mais luxuosos da estrada de ferro, era lá também, o sítio de veraneio do antigo prefeito de Belém, Antônio Lemos, hoje pertence a uma imobiliária.

Quando entramos para fazer imagens, fomos bem recebidos pelo caseiro que até nos deu cupuaçu.

O mais interessante é que muitas pessoas que passam pelo recanto de Moema, na Br-316, nem imaginam o que funcionava lá. - Obs: Trecho da reportagem de André França




  A história da estrada de Ferro de Bragança - Parte 03


 * Vídeo sobre a história da Estrada de Ferro de Bragança - Vídeo de Andre de Franca.



  A história da estrada de Ferro de Bragança - Parte 04


 * Vídeo sobre a história da Estrada de Ferro de Bragança - Vídeo de Andre de Franca.



  Olha a Maria Fumaça! Histórias para lembrar

 * Para Julinha dos cabelos prateados...

Menina faceira, vestida de festa a caminho da estação. Chegadas as férias, é hora de voltar para casa. Lá vai a menina, chamada Julinha, filha dileta do Luís do Macário e de Maria dos Anjos, moradores de Igarapé-Açú, que vieram de longe ainda pequeninos de outras estações, na Terra de Espanha. Hoje, com os cabelos prateados, vai comemorar 80 anos. Não por acaso é minha mãe e conta histórias e encanta as filhas, os netos e o bisneto. As histórias da Julinha não são para guardar no baú. Aqui uma delas é compartilhada com os amigos.

Quando as crianças em algazarra gritavam "Olha a Maria Fumaça!", falavam do trem, aquele que não existe mais. Conta Julinha que a primeira estação da Estrada de Ferro de Bragança (EFB) ficava na rua 16 de Novembro, nas imediações da atual rua Avertano Rocha. De lá saía a Maria fumaça, a máquina a vapor que puxava a composição de passageiros, conhecida como Horário, que levaria os estudantes de volta a casa. Aquela Maria Fumaça, que abrigou Julinha, tinha duas classes e como em filmes ingleses, a primeira classe com poltronas de palhinha para duas pessoas. Eram como quatro ou cinco vagões. Mas tinha segunda classe, um único vagão, que trazia bancos corridos: dois nas laterais e dois ao centro, um de costas para o outro.

O caminho de volta à cidade natal era comprido. A Estrada de Ferro tinha uma extensão de 222 quilômetros até Bragança; Igarapé-Açú ficava no km 111, a meio caminho.

Na Maria Fumaça - O trem saía às 7 horas da gare de São Braz, hoje Terminal Rodoviário Hildegardo da Silva Nunes. A primeira parada era em Ananindeua, só para descida e subida de passageiros; tudo muito rápido, para que fosse cumprido o tempo regulamentar da viagem. Em seguida, Marituba, vila operária da Estrada de Ferro, onde a Maria fumaça era abastecida de água e lenha. Seguindo viagem, chegava-se a Benevides nos mesmos moldes da parada anterior, mas lá havia um ramal, uns 11km de estrada com um trenzinho puxado a burro. O ramal ia à vila de Benfica. Diz minha menina no depoimento: "ainda andei no trenzinho, um barato! Era um lindo lugar à beira de um rio. Era criança e como vai longe ..." E o trem seguia para Sta. Izabel do Pará. Antes da estação o trem era abastecido d'água.

Em Santa Izabel comprava-se a melhor "pipoca", feita de goma (polvilho, naquele tempo!). As pipocas vinham em saquinhos de papel de seda colorido. Pena que a parada era só para embarque e desembarque, não dava pra Julinha comer demais. Seguindo a viagem, a boa Maria Fumaça parava na Vila Americano, bem rápido, e seguia para Apeú. Lá o trem passava por uma ponte de ferro sobre o rio Apeú, um belíssimo banho.

Próxima parada, Castanhal. O trem entrava imponente na gare mais bonita da Estrada com duas plataformas e o trem passava ao centro. Lá a demora era um pouco maior, a cidade comportava. Prosseguindo viagem, diz Julinha, "... Chegávamos à vila de Anhanga (hoje, São Francisco do Pará). Havia uma belíssima plantação da Ford do Brasil, mas era parada rápida. Parava-se também na vila do Jambú-Açú, caso tivesse passageiro, para embarque ou desembarque." Minha menina, pára, olha longe e prossegue: "era a vez de um lugar chamado Abacate. Lá o trem que parecia resfolegar, tomava [abastecia] água. A particularidade desse lugar era a venda de uma fruta gostosa chamada sorva, fruta que nunca vi em outro lugar por onde tenho andado."

Finalmente, a menina que ia de Belém, chegava à sua terra, a formosa Igarapé-Açú, já por volta de 11 horas. Era o fim de sua viagem, mas ela prossegue o relato contando: "Aí a parada era de 30 minutos para que os passageiros, saltassem e almoçassem. Os hotéis ficavam próximos à Estação e com 20 minutos de parada tocava a sineta da estação avisando os que haviam saltado para se apressarem. Ah! Esqueci antes de entrar na cidade, havia uma ponte de ferro, sobre um igarapé.

Prosseguindo passávamos por duas pontes de ferro, chamada primeiro e segundo Caripi, pouco mais estamos em São Luiz, uma vila, onde a parada também era rápida. Logo estávamos na Vila de Livramento, passávamos sob uma ponte de ferro, cheia de arcos. O rio lá em baixo de água escura, tinha o nome do lugar, Livramento. Continuando era a vez de Timboteua, vila pequena, e de lá, rumávamos para Peixe-Boi, vila maior, rio maravilhoso, era um dos melhores climas do Brasil, lá havia fazendeiros, tinha venda de queijo, todas as pessoas que podiam não deixavam de comprar, pois era de um sabor incomparável.

Daí seguíamos para Capanema, cidade maior, mas sem nada de especial, a seguir Tauari, Mirasselvas ou Quatipurú. Eu acho que havia uma parada para abastecer a composição. Não lembro ao certo. Sei que a última vila era Tracuateua que de especial tinha um campo agrícola do Ministério da Agricultura, subordinado ao que havia em Igarapé-Açú, finalmente chegávamos a Bragança, chamada até hoje a Pérola do Caeté, pelo belo rio que banha a cidade, com a famosa festa de São Benedito, Marujada, fartura de peixe, camarão, frutas e o famoso igarapé chamado Xumucuí.”

"Espera um pouco, esqueci de falar do trenzinho do Prata ..." Essa ficou só para nós da casa da Júlia.

* Fonte: Site da UFPA.




 * Atenção: os vídeo aqui editados foram autorizados por André França ”.

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Adlai Stevenson, político americano.

 
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