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As festividades da Cidade de Bragança - Pará
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FESTIVIDADES EM BRAGANÇA


- A HISTÓRIA DA FESTA DE SÃO BENEDITO



A festividade de São Benedito, tradição bicentenária realizada de 18 a 26 de dezembro, é a maior manifestação religiosa do povo Bragantino.

Começa a esmolação. Marujada revela conflitos

Crédito: Érika Morhy

Divididos em três comitivas que passarão seis meses esmolando com as imagens de São Benedito nos campos, colônias e praias da região bragantina, homens de diferentes idades cantam, tocam e rezam na igreja do "santo preto". A simplicidade do altar convida à reverência, que se expressa em beijo e toque nas imagens e fitas expostas sem barreiras. O momento é liderado pelos homens, até a hora da saída para as longas caminhadas, em que as marujas se incumbem de carregar o santo do lado esquerdo do peito. Poucas pessoas presenciam a cena e há um quase silêncio na cidade sobre ela. Bem diferente da grande festa da Marujada, em dezembro, quando as imagens retornam, faz-se a procissão na cidade e segue-se um espetáculo de danças, cores e sons.

As dicotomias são parte original da Marujada de Bragança. E mais: constituem a essência beneditina. É o que garante o historiador Dario Benedito Nonato da Silva, que fez do tema seu Trabalho de Conclusão de Curso. Ele começou por reconstituir o contexto de fundação da Irmandade de São Benedito, no século XVIII, analisando as relações entre senhores e escravos. Mas limitou-se até o século XIX. As questões mais contemporâneas já estão em pauta para as próximas pesquisas.

"Passado e presente são inseparáveis. O fato da Marujada ser usada politicamente e desprezada pelo bragantino se justifica pelos conflitos a que sempre esteve vinculada. Ela nasceu no bojo de uma dinâmica de exploração e entre pessoas marginalizadas. Isso permeia toda a vida dessa devoção", reitera.
Sob o jugo da escravidão, os negros dedicados à lavoura só tinham folga para comemorar as bênçãos de São Benedito no tempo de descanso da terra, em dezembro. Mas era também o período dos festejos natalinos e, sem poder se "misturar" aos senhores no dia 25, só restava escolher o dia 26 para barganhar o privilégio. Aliás, privilégio que começa com a permissão para cultuar quem ainda nem era santo, legitimamente. A canonização só veio nove anos depois, em 1807. 

"O santo é católico, o cânone é católico, a permissão pra fazer a irmandade é católica, a missa é um rito católico, mas o negro revestiu tudo isso de elementos próprios: as danças sensuais, os enfeites, os instrumentos musicais... eles podiam até estar cultuando seus orixás!", propõe Dario. Segundo ele, apesar desse sincretismo, em que o negro também adere a expressões que não lhe eram peculiares, a manifestação tem um caráter de resistência, já que ele também insere seus referenciais. "Não dá para separar o profano do sagrado: o negro se veste de marujo, mas porque fez promessa; dança, para homenagear o santo. E também era conveniente, já que o ano inteiro ele não tinha o que comemorar e nem a possibilidade de faze-lo. Era um instante de liberdade e em que podiam ascender socialmente, porque, apesar de pedir licença para os senhores, os negros eram servidos por eles, recebiam esmolas deles e estavam sempre em posição de maior importância, fosse na dança, fosse na mesa de alimentos". Para os senhores também havia a conveniência de estar controlando os escravos tanto no âmbito do trabalho quanto no das manifestações culturais. Vale ressaltar que a Tesouraria da irmandade, por exemplo, era controlada pelos "brancos".

Reunidos na irmandade, os negros começam a formar patrimônio capaz de erigir uma igreja para São Benedito e custear a festa em homenagem ao santo. Esse o motivo da esmolação, que começa todo mês de maio. "A promessa foi quebrada, porque quando os brancos perceberam que a igreja em construção para o santo preto estava ficando muito maior que a de Nossa Senhora do Rosário, considerada a padroeira de Bragança, exigiram a troca, feita em 1872", revela o historiador.

É também no século XIX que ocorre o que Dario chama de embranquecimento da Marujada. Os filhos das famílias mais abastadas passaram a se inserir na manifestação e provocam algumas modificações. Exemplo disso é a introdução da valsa, tipicamente da elite européia, como uma da danças em homenagem ao santo; assim como a mazuca. Políticos bem dotados passam a ser juizes da festa também.

As perlengas entre as partes civil e eclesiástica chegaram a desfazer, em 1988, a irmandade religiosa do século XVIII, sendo instituída uma que cuida apenas das questões culturais. Mas esse é um dos assuntos que serão tratados na continuação da pesquisa "A essência beneditina: escravidão e fé na Irmandade de São Benedito de Bragança do século XVIII e XIX".

Glossário - Dario nasceu no município de Bragança, filho de pais católicos e que lhe inseriram na Marujada. Estudou História no campus da UFPA da própria cidade. Jair Francisco Cecim da Silva nasceu em Ourém e, há 14 anos em Bragança, hoje é chefe do colegiado de Letras e ministra aulas de Língua Portuguesa. Mas ele também se encantou com a manifestação e dedicou-se ao estudo lexical da Marujada para obtenção de conceito na disciplina Sociolingüística, que estudou durante o curso de mestrado.

O professor reuniu mais de cem termos para compor um glossário. "Fiz pesquisa bibliográfica, entrevistei algumas pessoas da irmandade e os próprios marujos e marujas, fiz observações e descrevi os termos, numa tentativa de preservar a memória da festa", explica Jair. Ele diz que não se pode pensar a língua fora do contexto em que está sendo usada, porque, dentre as variações lexicais, sintáticas e semânticas possíveis, é ele que vai definir.

Mesmo com manifestações intituladas Marujada no país, como em Minas Gerais e São Paulo, por exemplo, a de Bragança possui peculiaridades incomparáveis, segundo Jair. E mesmo alguns termos comuns a outros contextos - a exemplo de juiz, juíza e capitão - possuem sentidos muito próprios na festividade.
Entre as pessoas que partilham das comemorações, há também variações na escrita e pronúncia de palavras que têm o mesmo significado. É o caso do lundu, "ritmo que inspirou o retumbão", também chamado de lundum.

 E ainda da masuca, uma das danças da marujada, que também é conhecida por mazurca e masunga.
"Gostaria que as pessoas viessem aqui para ver a Marujada, porque só participando é que vão perceber a força e grandeza dessa festa; a fé que as pessoas têm no 'santo preto'".




- FESTA DA MARUJADA


Trata-se de um auto dramatizado, onde predomina o canto sobre a dança. Há uma origem comum entre a Marujada de Bragança e a Irmandade de São Benedito. Quando os senhores brancos atenderam ao pedido de seus escravos para a organização de uma Irmandade, foi realizada a primeira festa em louvor a São Benedito. Em sinal de reconhecimento, os negros foram dançar de casa em casa para agradecer a seus benfeitores.

A Marujada é constituída quase exclusivamente por mulheres, cabendo a estas a direção e a organização. Os homens são tocadores ou simplesmente acompanhantes. Não há número limitado de marujas, nem tão poucos há papéis a desempenhar. Nem uma só palavra é articulada, falada ou cantada como auto ou como argumentação. Não há dramatização de qualquer feito marítimo.

A Marujada de Bragança é estritamente caracterizada pela dança, cujo motivo musical único é o retumbão.

A organização e a disciplina são exercidas por uma "capitoa" e por uma "sub-capitoa". É a "capitoa" quem escolhe a sua substituta, nomeando a "sub-capitoa", que somente assumirá o bastão de direção por morte ou renúncia daquela.

As marujas usam blusa branca, toda pregueada e rendada. A saia, comprida e bem rodada, é vermelha ou branca com ramagens de uma dessas duas cores. À tiracolo levam uma fita azul ou vermelha, conforme ramagem ou o colorido da saia. Na cabeça usam um chapéu todo emplumado e cheio de fitas de várias cores. No pescoço usam um colar de contas ou cordão de ouro e medalhas.

A parte mais vistosa dessa indumentária é o chapéu. Os modernos são de carnaúba, palhinha ou mesmo de papelão, forrado na parte interna e externa. A aba tem papel prateado ou estanhado; na lateral o papel tem várias cores; e em torno, formando um ou mais cordões em semi-círculos, são colocadas alças de casquinhos dourados, prateados ou coloridos e espelhinhos quadrados ou redondos. No alto do chapéu são colocadas plumas e penas de aves de diversas cores, formando um largo penacho com mais ou menos cinqüenta centímetros de altura. Da aba, na parte posterior do chapéu, descem ao longo da costa da maruja, numerosas fitas multicores. O maior número ou argura das fitas, embora não indicando hierarquia, é reservado às mais antigas.

Os homens, músicos e acompanhantes, são dirigidos por um capitão. Eles se apresentam de calça e camisa branca ou de cor, chapéu de folha de carnaúba revestido de pano, sendo a aba virada de um dos lados.

Os instrumentos musicais são: tambor grande e pequeno, cuíca, pandeiros, rabeca, viola, cavaquinho e violino.

As marujas caminham ou dançam em duas filas. À frente de uma delas a "capitoa", e á frente da outra a "sub-capitoa", empunhando aquela um pequeno bastão de madeira, enfeitado de papel, tendo na extremidade superior uma flor. Atrás e ao centro, fechando as duas alas, vão os tocadores e os demais marujos.

Em fila, a dança é de passos curtos e ligeiros, em volteios rápidos, ora numa direção, ora noutra, inversamente. Assim elas caminham descrevendo graciosos movimentos, tendo os braços ligeiramente levantados para a frente à altura da cintura, como se tocassem castanholas. Dançando obedecem à música plangente do compasso marcado pelo tambor grande.

No dia 26 de dezembro, consagrado à São Benedito, há na casa do juiz da Marujada um almoço, do qual participam todas as marujas e pessoas especialmente convidadas. O jantar é oferecido pela juíza, na noite desse dia. A 1º de janeiro o juiz escolhido para a festa seguinte é o anfitrião do almoço desse dia. Durante o ágape é transmitido ao novo juiz da festa o bastão de prata com uma pequena imagem de São Benedito, que é o emblema do juiz, usado nos atos solenes da festividade.



Festa da Marujada em Bragança


- Manifestação de cultura em Bragança... ( Júnior Soares na Marujada de Bragança ).


Marujada em Bragança I


- Uma bela manifestação folclórica de Bragança, que mostra a cultura do caboclo paraense na sua forma mais original!... (Dança da marujada / folclore).


- XOTE BRAGANTINO


Dança do Xote Bragantino Dança de raiz européia originada do Schotinch, a mais famosa dança folclórica da Escócia, a qual foi divulgada em toda a Europa, em torno de 1841. Os colonizadores trouxeram a dança para o Brasil onde despertou um grande interesse na população. Mas aqui a dança ganhou alguns acréscimos.

No Pará, a dança foi trazida pelos portugueses, que a cultivavam assiduamente em todas as reuniões festivas. De longe, os escravos assistiam os movimentos e guardavam na memória.

Em 1798 quando em Bragança, os escravos fundaram a Irmandade de São Benedito, a Marujada, o Xote foi magnificamente aproveitado pelos escravos, tornando-se a mais representativa dança do povo Bragantino. Nas festas populares o Xote é executado inúmeras vezes.




Dança do Xote Bragantino


- Dançando o Xote Bragantino.



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“Um editor de jornal é alguém que separa o trigo do joio - e imprime o joio.”
Adlai Stevenson, político americano.

 
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